não, não há hora mais adequada. não há hora errada: a hora certa é agora, sempre foi. preferimos acreditar que haveria hora mais adequada, possivelmente quando as coisas estivessem mais encaixadas, mas tememos enfrentar o desencaixe. se por um lado, há o preciosismo de se manter inalterado aquilo que lhe é especial- evitando confrontar os aspectos indefinidos com a possibilidade de amor real- há, por outro, a conformação com a situação, afastando a responsabilidade da felicidade como sua, e o refúgio tranquilo no adágio desta afirmação. há o risco, entretanto, de se viver na falácia: a tranquilidade é um estado impermanente. não usemos como desculpa o medo de enfrentar a única realidade, aterradora: a de que podemos sim ser felizes, sob nossa responsabilidade. a escolha traz a angústia de não se conhecer por completo os desdobramentos das demais possibilidades, mas a certeza de permanecer a um território seguro. na escolha de onde fixar-se, há a certeza da construção.
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